Um novo começo nas relações entre a Turquia e a Europa

A relação entre a Turquia e a Europa não é nem sazonal nem de curto prazo. Pelo contrário, tem longas raízes no passado, vindo desde há muito tempo.

Um novo começo nas relações entre a Turquia e a Europa

Considerando o período do império otomano, é possível considerar um período de 200 anos ao longo da história. Os governantes da República da Turquia mantiveram a tradição herdada do império otomano, e tentaram melhorar as relações com estes países com o objetivo de alcançar o mesmo nível de desenvolvimento em termos de bem estar social, educação, economia e tecnologia, ao nível da Europa moderna.

Durante cerca de meio século, e começando com a candidatura da Turquia no sentido de se tornar membro da Comunidade Económica Europeia (CEE) - durante o governo do Partido Democrático - as negociações oficiais e o processo de adesão da Turquia ainda continuam atualmente.

É claro que não se pode dizer que a relação de meio século entre a Turquia e a União Europeia seja saudável, ou sequer uma relação consistente ou uma cama de rosas sem espinhos. Será mais adequado falar de uma relação com muitas marés, em que de vez em quando florescem esperanças, mas em que no geral aparecem problemas.

A posição das capitais europeias sobre Ancara é baseada em duplos critérios, comportamentos inconsistentes, medos injustificados e sem dúvida, este processo sem fim à vista continua a arrastar-se no tempo principalmente por causa desta atitude. Um exemplo recente disto mesmo, é o facto da União Europeia não ter cumprido com o acordo dos refugiados Turquia – UE, assinado a 18 de março de 2 016. Segundo este acordo, a Turquia encarregou-se das responsabilidades da União Europeia e continuou a aceitar refugiados sírios de braços abertos, e cuidou de todas as suas necessidades. Mas a UE não cumpriu a sua parte do acordo, e recuou em vários temas como a liberalização dos vistos, o recomeço das negociações de adesão, a abertura de novos capítulos negociais, a reforma da união aduaneira e a assistência financeira no valor de 3 mil milhões de euros.

No mesmo tom, os recentes comentários de apoio sem convicção feitos pelas capitais da União Europeia, em relação ao governo legítimo depois da tentativa de golpe de estado em 15 de julho, padecem de falta de sinceridade e firmeza, e são apenas mais um exemplo dos duplos critérios e inconsistências do Ocidente.

Dito isto, houve muitos desenvolvimentos promissores nas relações entre a Turquia e a União Europeia. Há muitos fatores internos, regionais, globais e cíclicos a contribuir positivamente para estes desenvolvimentos positivos.

Olhando para a história  das relações entre a Turquia e a UE, parece haver fatores regionais, estratégicos e conjunturais de sinal positivo. A importância estratégica e geopolítica da Turquia durante a Guerra Fria, sempre foi valorizada pelo Ocidente. E é por essa razão que a Turquia se tornou num membro efetivo de organizações ocidentais como a OCDE e a NATO. Apesar de ter havido dúvidas nessa altura, sobre se a importância estratégica da Turquia iria diminuir depois do fim da Guerra fria, os desenvolvimentos conjunturais vieram demonstrar que essas dúvidas estavam erradas.

A primeira e a segunda guerras do Golfo vieram uma vez mais provar a importância estratégica indispensável da Turquia, tanto para a Europa como para os Estados Unidos.

Continuamos a viver uma situação conjuntural e geopolítica semelhante ainda hoje. Num período em que a política internacional se encaminha para um eixo multipolar, a influência do bloco Euroasiático e o seu membro fundador, a Rússia, tem vindo a aumentar numa altura em que o discurso de vitória dado pelo presidente eleitos dos Estados Unidos, Donald Trump, assinala um equilíbrio do poder internacional, e uma mudança drástica nas relações entre os Estados Unidos e a União Europeia.

A recente aproximação entre a Turquia e a Rússia, bem como os sinais do presidente eleito Trump em relação à Turquia, afetaram positivamente a atitude da Europa em relação a Ancara.

Há alguns dias atrás, a decisão da Comissão Europeia no sentido de atualizar a União Aduaneira com a Turquia, assinala uma jogada da UE num sentido mais moderado e uma atitude positiva em relação à Turquia no novo ano. Esta atualização do acordo, irá permitir à Turquia exportar para União Europeia produtos agrícolas, laticínios, têxteis e bens industriais, sem quaisquer restrições aduaneiras. Isto dará uma contribuição significativa às exportações da Turquia, e contribuirá para o crescimento e desenvolvimento da sua economia. Por isso, é possível dizer que os desenvolvimentos políticos e estratégicos acima mencionados, tiveram um efeito positivo sobre a decisão da União Europeia em atualizar a União Aduaneira com a Turquia.

Em última análise, a Turquia e a UE são duas entidades interdependentes. A Turquia precisa da UE para manter as suas relações com a Europa e para aumentar os standards da sua economia e democracia. E a União Europeia precisa de cooperar com a Turquia, por forma a aceder aos recursos energéticos do Médio Oriente e para expandir os seus interesses estratégicos económicos e comerciais.



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