Lendas da Anatólia: Rei Midas

As lendas envolvendo o Rei Midas da Frígia.

Lendas da Anatólia: Rei Midas

No programa dessa semana, vamos falar sobre a lenda do Rei Midas da Frígia.

Os frígios foram uma civilização no século 11 A.C. que vieram de Trácia na Anatólia Central e se estenderam até os arredores de Ancara, com capital em  Górdio. Em um curto período de tempo, eles acumularam riquezas a partir da inovação e design de produção, expandindo o território sob seu governo. Seus produtos, a tigela de bronze e panelas, eram exportados para todo o mundo, ao passo que importavam matéria-prima em troca. Eles foram os gigantes da tecnologia mundial há três mil anos. A fíbula,  ancestral da agulha bifurcada, foi invenção deles.

O lendário Rei Midas e sua família  partiram de Fethiye, nas proximidades do mar Mediterâneo, onde tinham uma vida de camponeses, e vieram para o centro do Império Frígio, a fim de terem melhores condições de vida. Enquanto eles faziam o caminho, falece o rei frígio Górdio. O povo se entristeceu muito com a morte do rei que eles tanto amavam. Os anciãos consultaram os oráculos para saber quem seria o novo rei e os oráculos disseram que o novo rei seria a primeira pessoa que entrasse na cidade de carro.

Pouco depois disso, Midas e sua família entraram na cidade de carro. A multidão e todos os servos do rei os saudaram com alegria. Midas e sua família ficaram confusos mas o novo rei passou a governar o país com sucesso. Por causa de um defeito de nasçenca, ele tinha uma das orelhas maior que a outra e sabendo que as pessoas iriam achar feio, ele sempre andava de chapéu. Assim, as pessoas começaram a acreditar que Midas tinha orelhas de burro.

Segundo a lenda, o deus Apolo passava o tempo tocando flauta. Certo dia, foi lhe dito que ele tocava muito mal e ele então, jogou a flauta em um rio. Um pastor chamado Marsias encontrou a flauta e começou a tocar o instrumento de forma graciosa. Sua reputação se espalhou por toda parte. Assim, Midas pede uma competição, no qual ele seria o árbitro, para saber quem tocava melhor, Apollo ou Marsias.

Na competição Midas fica do lado do pastor mas Apollo consegue trapaciar e vence. Apollo fica furioso porque não foi escolhido por Midas e disse: “aquele que não tem um ouvido humano não pode distinguir o que é boa música, para você orelhas de burro é que combinam” e assim, transformou as orelhas de Midas em orelhas de burro. De tanta vergonha, Midas não tira o chapéu da cabeça mas quando seu cabelo cresceu, ele chamou o barbeiro para cortar seu cabelo.

O barbeiro ficou cheio de surpresa e medo quando viu as orelhas de Midas mas o rei afirmou que o mataria se ele contasse a alguém aquele segredo. Os dias foram passando e o barbeiro, por um lado, temia por sua vida, e por outro, queria contar para alguém para se livrar do peso de carregar aquele  segredo. Assim, o barbeiro cavou um buraco e disse dentro deste: “O Rei Midas tem orelhas de burro!” e o cobriu de terra. Porém nasceram lá vários juncos que sempre que eram abanados pelo vento diziam aquela frase, e, assim todos ficaram sabendo daquele segredo e a lenda de Midas se espalhou.

Queremos também falar do segundo mito envolvendo Midas: a lenda de que ele possuía o poder de transformar em ouro tudo que tocasse. Um dia o deus do vinho, Dionísio, adormeceu enquanto passeava no jardim de Midas. O rei o trouxe para o palácio e o tratou muito bem como seu hóspede.

Dionísio ficou muito impressionado e satisfeito com a maneira como foi recebido e disse a Midas: “deseje o que quiser”. Como o rei amava muito o ouro, ele desejou que tudo que tocasse pudesse ser transformado naquele metal. Dionísio realizou o desejo de Midas. No entanto, até mesmo a comida se transformava em ouro, e Midas, transtornado, percebeu que tinha desejado algo errado e pediu a Dionísio para tirar dele o toque de ouro. Dionísio disse que ele teria que se banhar no rio Pactolo. Enquanto se lavava no rio, ouro saía de seu corpo. Essa é a razão pela qual  acredita-se que é encontrado ouro nesse rio.

Na próxima semana nos encontraremos novamente com mais uma lenda da Anatólia.



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