Grandes Épicos da Anatólia

A Guerra de Troia.

Grandes Épicos da Anatólia

(Transcrição do programa de rádio)

Olá caros ouvintes, sejam bem-vindos a mais uma edição do programa Grandes Épicos da Anatólia, da Rádio TRT Voz da Turquia. No programa da semana passada, falamos sobre a escolha de Paris antes da Guerra de Troia, um dos grandes épicos da Anatólia.

O príncipe Paris, filho do rei de Troia, escolheu Afrodite como sendo a mais bela, no primeiro concurso de beleza da história, que teve como participantes 3 deusas. Ao escolher Afrodite, Paris recebeu como prémio o amor de Helena de Atenas, tal como prometido por Afrodite.

Uma noite, Helena – a esposa do rei Menelaus de Atenas durante 10 anos – fugiu com Paris que era seu convidado no palácio nessa ocasião. O rei de Atenas, furioso com o rapto da sua esposa, fez chegar a notícia a todas as cidades gregas. Foi então reunido um grande exército. O verdadeiro objetivo era pilhar a cidade de Troia, que tinha enriquecido rapidamente graças ao seu próspero comércio.

Ao longo desta guerra, que se pensa que tenha sido travada em cerca de 2 200 a.C., um grande contingente naval chegou às costas de Troia, situada do lado asiático do Estreito de Çanakkale. As tropas desembarcaram em terra, mas não conseguiram furar as poderosas defesas de Troia e ultrapassar as muralhas da cidade. Após 10 anos sem conseguir a vitória, o exército dos Aqueus e os seus soldados exigiram regressar a casa.

O rei Menelaus não se conseguia decidir em relação ao que fazer. Ele consultou os oráculos, que lhe disseram que Troia não podia ser conquistada através da guerra, mas que seria possível conquistar a cidade com um engano. E no seu exército, havia também um semi-deus, Aquiles. A guerra entre ele e Hector, o heroico filho do rei de Troia, é muito famosa. Ele juntou-se à batalha para salvar Helena, apesar de saber que iria morrer durante esta batalha. Acreditava-se que ele só poderia ser morto pelo seu calcanhar, onde a água não tinha tocado quando a sua mãe o fez mergulhar nas águas do rio da imortalidade quando ele era uma criança. Durante a Guerra de Troia, Paris matou-o ao fazer acertar uma seta mesmo em cheio no seu calcanhar. A parte do corpo chamada “tendão de Aquiles” nos nossos dias e em todo o mundo, tem origem nesta história.

O rei de Atenas foi à procura de formas de conquistar a cidade através de engodos. O rei Odisseus – um súbdito do rei de Atenas – sugeriu que fosse construído um cavalo de madeira com soldados escondidos lá dentro. Depois de uma retirada tática, o cavalo de madeira seria levado para dentro das muralhas da cidade, e os soldados escondidos lá dentro sairiam para abrir os portões da cidade. Menelaus aprovou este plano.

O cavalo foi então construído e nele foram colocados soldados em segredo. O exército retirou-se e escondeu-se nos seus barcos. Os troianos regozijaram-se pelo facto do exército inimigo se ter ido embora. E no meio do campo de batalha, estava agora um enorme cavalo de madeira. Um oráculo avisou que trazer este cavalo para dentro da cidade iria trazer um desastre. Mas sem lhe dar ouvidos, os troianos trouxeram o cavalo e levaram-no para o seu templo. Já bem tarde, e com os troianos a dormir depois de uma vitória gloriosa, Odisseus e os seus soldados saíram do cavalo e abriram as portas da cidade para as tropas gregas escondidas do lado de fora. Sabe-se através dos vestígios arqueológicos que a cidade de Troia foi arrasada pelo fogo em cerca de 2 200 a.C. A cidade ruiu depois de ter sido pilhada pelo rei de Atenas.

Os épicos Ilíada e a Odisseia – ambos escritos por Homero, um poeta nascido em Bodrum – tornaram possível que o Cavalo de Troia chegasse até aos nossos dias. No final do século XIX, um arqueólogo amador chamado Schlimann veio até Çanakkale e começou a fazer escavações, inspirado pelos épicos que a sua esposa estava sempre a ler. E foi assim que ele conseguiu encontrar a cidade de Troia. A sua descoberta fornece provas de que existiu de facto uma Guerra de Troia, algo que até aí era considerado como uma ficção. Afinal não, foi um acontecimento real ao longo da história.

A Guerra de Troia e o seu cavalo continuam vivos na nossa cultura ainda hoje.  O termo Cavalo de Troia é usado em tecnologia, para definir uma espécie específica de programa de computador malicioso.

Esperamos que tenha gostado de estar na nossa companhia, e que não perca o programa de próxima semana com mais um Grande Épico da Anatólia. Até lá, fique bem.



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