O sistema está a morrer

O sistema mundial criado com a Conferência de Ialta em 1 945, teve o seu fim com as políticas da Perestroika do líder soviético Mikhail Gorbachov em 1 991.

O sistema está a morrer

O sistema mundial criado com a Conferência de Ialta – depois da II Guerra Mundial – na realidade representou uma rutura com o século anterior. Estamos agora a jogar no tempo de compensação, mas para milhões de pessoas continua a existir um perigo mortal.

O sistema mundial criado com a Conferência de Ialta em 1 945, teve o seu fim com as políticas da Perestroika do líder soviético Mikhail Gorbachov em 1 991. Infelizmente, esta “destruição antecipada” apanhou desprevenidos os 5 países com direito de veto na ONU. O mais estranho de tudo, é que apesar da Rússia soviética ser membro deste grupo de 5, nem esse país estava preparado para a Perestroika.

Os 5 países que tinham as economias e as indústrias de defesa mais fortes, ao surgir a Perestroika caíram de repente num vazio e tentaram criar uma nova “Fénix”, sobre as cinzas da antiga ordem. O líder desta nova ordem foram os Estados Unidos. Na realidade, os Estados Unidos são um país com apenas 200 anos. E este estado ainda não tinha burguesia, porque para que se possa formar uma classe burguesa, é preciso que passem quase 400 anos.

Os Estados Unidos, que não tinham a acumulação de burguesia – nem cultural nem sociologicamente – são um país cuja administração é composta por pessoas, comerciantes de armas, pessoas de famílias ricas de origem imigrante, grandes proprietários de terras e por aqueles que acumularam capital através da economia paralela.

Para legalizar este novo Sistema Mundial no seio das sociedades, foram usados nomes eficientes como Fukuyama e Huntington, para levar a cabo uma operação de perceção sobre as massas. Depois, o novo sistema mundial transformou-se numa guerra hegemónica política e sagrada, durante o período do primeiro presidente Bush. Bush pai classificou de “Guerra Santa Cruzada” a operação de ocupação do Iraque, diante de todos os meios de comunicação e da opinião pública, saudando a trindade. Ele mostrou que as fontes deste novo sistema assentavam na Conferência de Ialta de 1 945.

Na realidade, os “Valores da Europa” que foram mudados e desenvolvidos a partir da Magna Carta, acabaram em grande medida por ser afetados com a frase de George Herbert Walker Bush – o outro nome do Bush pai – que assinalou que ao iniciar a ocupação do Iraque em 1 991, deu início à “Guerra Santa Cruzada”. Naquele tempo, a consciência da Europa ainda tinha voz. Os intelectuais, autores e ambientes académicos, levantaram seriamente a sua voz contra esta ocupação. Por exemplo, as posições escritas pelo filósofo espanhol Santiago Alba Rico contra este sistema, teoricamente, foram como pôr dinamite na base do Novo Sistema Mundial. Rico, ainda naqueles dias, enfrentou os pensamentos e os artigos dos teóricos deste novo sistema, assinalando que o Novo Sistema Mundial era na verdade um “roubo imperialista e sanguinário”.

Realmente, depois da derrota dos regimes comunistas, foi surpreendente ver que todas as regiões onde se viveram combates internos, guerras, crises e caos, tinham sempre grandes recursos energéticos e um comércio forte. Nas terras que vão desde o Afeganistão até à Argélia, começaram de repente atividades terroristas e violentas. Vale a pena recordar uma notícia do jornal The Independent, de 6 de dezembro de 1 993. Nesta sua notícia, o The Independent escreve sobre Osama Bin Laden e sobre os seus partidários, dizendo que se trata de viajantes de paz. Neste artigo, Bin Laden e os terroristas são mostrados como santos. Tal como Sadam Hussein, que foi apresentado como um “herói guerreiro” contra o suposto regime do Irão durante a década de 1 980. Após algum tempo, estas pessoas apoiadas pela civilização ocidental e apresentadas como “Santos” e “Heróis”, passaram a ser classificados de terroristas. No final de contas, Bush pai acabou por transformar a nossa região numa bola de fogo.

Durante o mesmo período, surgiu uma organização terrorista sangrenta na Argélia chamada FIS, que usou o islão como uma máscara para si própria. As empresas americanas, depois de fazerem acordos de energia com a Argélia, de repente e como se a situação tivesse sido cortada com uma faca, terminaram os incidentes de decapitações e os massacres em massa da FIS, que acabou inclusivamente por desaparecer.

Todos os presidentes americanos, infelizmente privados da cultura da burguesia, sendo magnatas como os senhores feudais que têm instintos primitivos, mantiveram as políticas colonialistas dos magnatas insaciáveis.

Esta situação transformou-se num pesadelo para a humanidade. O sonho norte-americano chamado de Novo Sistema Mundial, foi crescendo sobre as bases da ordem cruel e injusta que nasceu da Conferência de Ialta. E os Estados Unidos, que deram sequência a este sistema não jurídico, mostram um panorama que atropelou todos os valores. Enquanto os democratas libertários se empenham em todo o tipo de jogos abertos e secretos, os conservadores e os supostos republicanos opõem-se a eles. A sociologia, a antropologia e a ciência política, representaram um corte nesta situação. Os soberanos alimentados pelo sistema, insistem nas suas atividade de promoção da violência e no uso de terroristas para continuar tudo isto.

Na realidade, o que dizia o presidente Erdogan da República da Turquia era “este terrorismo que estão a alimentar agora, um dia voltar-se-á contra vocês”. E hoje, infelizmente, a ameaça do terror global já colocou todo o ocidente sob ameaça. Apesar disto, a insistência no sistema de violência chamado Novo Sistema Mundial, não é nada mais do que provocar o incêndio do terrorismo por todo o mundo.

O mundo ocidental em geral e o povo americano em particular, esperam com curiosidade saber se o novo presidente Trump vai ou não insistir nesta nova ordem sangrenta, colonialista e standardizadora. Pelo que podemos ver, Trump também não gosta desta ordem e está muito incomodado com ela. Esperamos também que ele se oriente em direção ao postulado de “tem que se construir um sistema mundial mais justo e humano”, tal como defende Erdogan desde há muito tempo.



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