A Nova Rota da Seda

A Economia Mundial, um programa do Prof. Dr. Erdal Tanas Karagol.

A Nova Rota da Seda

A Rota da Seda, que constituía uma rota comercial que começava na China e se estendia através da Anatólia e do Mediterrâneo em direção à Europa, garantiu o transporte de produtos entre o Oriente e o Ocidente durante séculos. Hoje em dia, a China está a implementar uma iniciativa para dar uma nova vida a esta rota comercial fortemente ancorada no passado, e está a realizar importantes trabalhos para concretizar o projeto “Uma cintura, uma estrada”, também conhecido como “O Projeto da Nova Rota da Seda”. Este projeto é considerado como o maior projeto de transporte em todo o mundo.

O projeto da Nova Rota da Seda engloba 65 países incluindo a Turquia, e abrange quase 60% da população mundial, cerca de 4,4 mil milhões de pessoas. Estima-se que este projeto, que irá ter impacto sobre quase 40% da economia mundial, irá reformatar o comércio global ao abrir novos mercados às exportações e ao aumentar o leque de produtos disponíveis para transacionar.

Um dos objetivos mais importantes do projeto, é contribuir para a integração intercontinental através de projetos de infraestrutura como linhas de caminho de ferro, estradas, portos, aeroportos, gasodutos de gás natural e outras infraestruturas.

Estas iniciativas, que irão diversificar as rotas do comércio global, têm como objetivo reduzir o tempo de transporte das mercadorias e reduzir custos.

A Turquia, que constitui uma ponte entre a Ásia e a Europa e que está mesmo ao lado do Médio Oriente, é um dos componentes mais importantes desta rede comercial entre Oriente e o Ocidente, devido à sua localização estratégica. Neste contexto, a ligação à Europa da Linha de Cintura da Rota da Seda, que inclui autoestradas e ferrovias, irá atravessar também a Turquia.

Até agora, e como parte do corredor central da Nova Rota da Seda, já foram completados os projetos do Marmaray e da Ponte Yavuz Sultan Selim. Nos últimos dias, foi também inaugurada a linha de caminho de ferro que liga Bacu, Tbilissi e Kars. Esta ligação representa o passo mais importante do corredor central do projeto, e já está a funcionar.

A linha férrea entre Bacu, Tbilissi e Kars, que irá transportar 1 milhão de passageiros e 6,5 milhões de toneladas de mercadorias, deverá ao longo do tempo registar um aumento da capacidade de transporte, para 3 milhões de pessoas e atingir as 17 milhões de toneladas de mercadorias.

Depois das linhas de comboio de alta velocidade do projeto começarem a funcionar, espera-se que o tempo de transporte entre a China e a Europa seja reduzido para apenas 12 a 15 dias, graças ao projeto da linha férrea entre Bacu, Tbilissi e Kars.

Até agora, as linhas férreas entre a China e a Europa passavam sobretudo pela Rússia. Com a inauguração da ligação ferroviária entre Bacu, Tbilissi e Kars, a ligação entre a China e a Europa será encurtada em cerca de 7 mil quilómetros.

A Nova Rota da Seda é um projeto que oferece importantes oportunidades à Turquia, no sentido de aumentar a sua importância estratégica na região e para atingir os seus objetivos económicos futuros. O facto da Turquia se situar num ponto de ligação entre o Oriente e o Ocidente, no coração das redes comerciais entre a Ásia e a Europa, mostra que o país tem aqui uma oportunidade muito importante para atrair o rico capital asiático. Avaliar esta oportunidade e transforma-la numa vantagem, irá depender das relações que a Turquia vai desenvolver e gerir com os seus parceiros comerciais.

Outro assunto que irá trazer a Turquia para a frente deste projeto, é a energia. A Turquia faz parte do projeto da Nova Rota da Seda, enquanto país que está a dar alguns passos no sentido de se tornar num centro para o comércio de energia, com os seus projetos já em funcionamento e os que em breve irão ficar concluídos, como oleodutos e gasodutos. Se os países do Médio Oriente e da Ásia Central - que são ricos em recursos energéticos - também derem passos para melhorarem as suas infraestruturas de transporte em consequência do efeito deste projeto, a Turquia ficará no centro do transporte de energia para a Europa, uma das regiões de maior consumo de energia em todo e mundo e que absorve a maior parte das exportações destes recursos.

A Turquia, por um lado situada no local ideal desta rota de transporte de energia, irá também poder satisfazer as suas próprias necessidades energéticas com a sua infraestrutura energética, e por outro lado, irá abrir as portas destes países à Europa. A Turquia, que está no centro das relações energéticas entre a Ásia e a Europa, terá dado um passo importante no sentido de atrair tantos os atores regionais como globais para o mercado turco, se desenvolver a sua Bolsa de Energia, que é neste momento um dos seus objetivos mais importantes.

Em resultado de tudo isto, a Turquia deverá otimizar a sua oportunidade, que resulta do facto de estar situada num ponto de passagem da rota comercial que irá ser criada com a Nova Rota da Seda, que irá ligar o Oriente ao Ocidente. Ao tornar-se parte desta rede comercial global e ao ampliar a sua presença nos mercados de exportação, a Turquia vai fortalecer a sua posição e tornar-se num país central do comércio de energia.



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