NATO: Uma aliança que precisa de ser questionada

A Análise da Atualidade, um programa de Erdal Simsek.

NATO: Uma aliança que precisa de ser questionada

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), foi uma organização criada para combater o expansionismo da União Soviética – que corresponde à atual Rússia – depois da II Guerra Mundial. A NATO foi criada a 4 de abril de 1 949, por estados ocidentais como os Estados Unidos, a Bélgica, a França, a Holanda, a Itália, a Islândia, a Dinamarca, o Luxemburgo, a Noruega, Portugal e o Canadá (todos do bloco ocidental), por forma a tomar medidas contra as ameaças que pudessem surgir devido às políticas expansionistas da União Soviética.

A Turquia aderiu a esta organização em 1 952. O objetivo fundamental da organização era garantir a defesa dos países membros contra os perigos surgidos do exterior, e assegurar em simultâneo a cooperação política, económica e social entre os estados membros.

A NATO, que foi criada com estes objetivos, começou a ser posta em causa em 1 991, quando o Bloco de Leste foi complemente destruído. A legitimidade e a existência da Aliança Atlântica começou a ser questionada. Mas uns meses antes desta situação, a invasão do Kuwait por parte do Iraque e a nova onda de terror daí saída, foi considerada uma razão suficiente para a “necessidade da NATO”.

No mesmo período, surgiu uma organização ilegal da NATO em Itália. O primeiro ministro italiano dessa época, Giullio Andreotti, admitiu oficialmente em 24 de outubro de 1 990 a existência da GLADIO no seu país.

As funções oficiais destas unidades, que no geral eram estruturadas enquanto “Forças Especiais”, era criar uma organização que permitiria, em caso de invasão da Europa Ocidental ou de países membros da NATO, levar a cabo tarefas específicas como parar, atrasar e prejudicar o inimigo, e obter informações acerca do inimigo, sabotar comunicações e destruir os equipamentos logísticos do inimigo, através de métodos de guerra não convencionais, e garantir a destruição dos alvos com importância estratégica.

Esta organização foi batizada com o nome de Gladio, que significa “espada” em latim. Esta organização foi criada em 1 952 pela Stay Behind, uma organização americana e britânica de contra-guerrilha. Esta organização, gerida e financiada pela CIA, foi organizada em 1 956 para cooperar com os Estados Unidos por forma a dedicar-se à espionagem e à guerra de guerrilha.

A par dos debates sobre a GLADIO, surgiram também alegações de que a NATO estaria a levar a cabo ou a tentar executar métodos de guerra não convencional em todos os países membros. À medida que foram encontrados vestígios desta situação em muitos países, a Aliança Atlântica voltou novamente a ser posta em causa.

É interessante constatar que a guerra civil na Jugoslávia começou numa altura em que a legitimidade da NATO estava a ser posta em causa. Esta guerra civil, que foi muito violenta, acabou por se transformar oficialmente num genocídio. De um momento para o outro, a NATO tornou-se numa fonte de esperança para todas as pessoas que queria parar este massacre.

Na sequência desta intervenção, surgiram depois as ocupações do Iraque e do Afeganistão que abafaram as controvérsias acerca da NATO.

Numa altura em que as atividades ilegais da NATO estavam prestes a ser esquecidas pela opinião pública, a Organização Terrorista Gulenista (FETO) – uma rede internacional de espionagem e de traição na Turquia – avançou com uma sangrenta tentativa de golpe de estado.

O povo turco saiu às ruas seguindo o apelo do seu líder, o presidente Recep Tayyip Erdogan, e conseguiu dessa forma travar o golpe. Muitos dos militares de alta patente envolvidos nesta tentativa de golpe de estado, fugiram para países membros da NATO. Todos os oficiais que prestavam serviço na NATO e que foram identificados como membros da organização terrorista FETO, foram acolhidos e receberam asilo em países membros desta aliança.

Apesar da larga maioria desses oficiais terem sido expulsos das Forças Armadas da Turquia, eles continuaram a exercer as suas funções na NATO durante algum tempo. Algumas destas pessoas foram desmascaradas pela polícia turca, que descobriu que elas estiveram envolvidas em atividades terroristas em diferentes atividades da NATO.

Adicionalmente, quase todos estes suspeitos de terrorismo eram oficiais superiores, cujos salários eram pagos pela NATO. Tal como os mais recentes oficiais e funcionários da NATO, que mostraram imagens de Mustafa Kemal Ataturk – o fundador da República da Turquia – e do presidente Erdogan, do lado das forças inimigas.

Durante a sangrenta tentativa de golpe de estado de 15 de julho de 2 016, foi bastante surpreendente que nem a NATO, nem os aliados da Turquia no Clube do Ocidente, se mostraram a favor do povo turco.

Foi ainda mais surpreendente o facto da NATO e dos amigos ocidentais, que são aliados da Turquia, terem aberto as suas portas aos envolvidos na tentativa de golpe.

Olhamos agora para alguns incidentes que ocorreram depois da sangrenta tentativa de golpe de estado de 15 de julho, que revelam a relação da NATO com esta organização:

  1. Os pedidos de asilo feitos à Noruega por parte de 4 oficiais turcos e de um adido militar a prestar serviço na NATO, foram aceites pelo Gabinete Norueguês de Imigração após a tentativa de golpe de 15 de julho.
  2. O Major Ahmet Erdogan, um perito fugitivo que confirmou os documentos falsos publicados pela organização terrorista FETO para despedir pessoas, ainda vive no número 15 da Rua Nicolson, perto de Innsworth GL31DN em Gloucester, uma residência militar no Reino Unido.
  3. O Almirante Zeki Mustafa Ugurlu, que fez parte da tentativa de golpe de estado de 15 de julho e que estava de serviço no Comando Aliado de Transformação nos Estados Unidos, esteve nesta base militar da NATO a seguir ao golpe. Foi-lhe concedido asilo nos Estados Unidos de forma rapidíssima, quando se soube que ele ainda prestava serviço na NATO enquanto almirante, apesar de ter sido expulso das Forças Armadas da Turquia (TSK).
  4. Ficou-se a saber-se que Hayrettin Bahsi, que foi o anterior Chefe do Instituto de Segurança Civil do TUBITAK, e que é também um fugitivo suspeito de pertencer à FETO, agiu como um perito em casos de “compromissos” contra o exército turco, liderados pelos procuradores da FETO. Bahsi estava à frente do exercício de ciber segurança realizado pelos países da NATO na Estónia.
  5.  Cinco oficiais de alta patente, que tinham sido expulsos das Forças Armadas da Turquia após a tentativa de golpe de 15 de julho, apareceram nas sedes da NATO e da SHAPE em Bruxelas. Após algum tempo, o seu pedido de asilo foi aceite pela Bélgica.
  6. Apesar de não ter sido convidado para a reunião da Assembleia Parlamentar NATO nos Estados Unidos, que teve lugar há uns meses, Emre Çelik – um membro da FETO e presidente do Fórum Rumi – foi ilegalmente aceite nesta reunião por Daniel Pipes, o presidente do Fórum para o Médio Oriente. E a NATO ficou em silêncio perante esta situação. Quando a delegação turca protestou contra esta situação e abandonou a reunião, eles foram acompanhados pela mesma atitude pelos oficiais de outros países.

Não deveria esta aliança ser questionada pelos seus membros, tendo em conta todas estas evidências?



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