A Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos e o Médio Oriente

A nova estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, revela diferenças básicas face às políticas anteriores nesta área.

A Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos e o Médio Oriente

A nova estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, definida por Herbert Raymond McMaster – assessor de Segurança Nacional do presidente Donald Trump – e pela sua equipa, revela diferenças básicas face às políticas anteriores nesta área. Neste documento, elaborado no âmbito do conceito “Os Estados Unidos primeiro”, observa-se que não existe qualquer foco na defesa dos valores democráticos nem na propagação dos valores globais e liberais, que tinham sido a opção dos presidentes anteriores. Em particular, o facto de não se dar importância a estes aspetos, que foram os elementos principais do domínio global dos Estados Unidos durante a Guerra Fria, e o facto de ser sublinhado o papel da liderança dos Estados Unidos no sistema internacional – ao contrário do que se passou nos períodos anteriores – marca a diferença desta nova Estratégia de Segurança Nacional em relação às anteriores.

Em geral, o documento não menciona a globalização e foca-se basicamente na prosperidade dos cidadãos americanos, no aumento da capacidade militar para a segurança dos Estados Unidos e no desenvolvimento de novos sistemas de armamento. Na questão do sistema internacional e da política, o facto dos estados-nação serem identificados como presenças de concorrência, e de se dizer que os Estados Unidos devem lutar em todas as frentes para garantir a sua segurança, indica uma mudança básica na estratégia nacional dos Estados Unidos. Neste contexto, a descrição da Coreia do Norte e do Irão como sendo uma ameaça, e a descrição da Rússia e da China como sendo estados rivais, são os principais elementos na base da mudança da estratégia americana. Isto porque no período que se seguiu à Guerra Fria, os Estados Unidos adotaram uma política em que a Rússia e a China se deveriam ajustar às organizações internacionais e ao sistema liberal, através da cooperação multilateral, num contexto de globalização e de valores liberais. No entanto, agora revela-se que as previsões de que os Estados Unidos não podem contrariar o crescente défice comercial que aumenta todos os dias, baseado numa política de economia liberal e global. Isto é um indicador sobre a preparação de uma nova estratégia global. Por seu turno, esta situação cria a impressão de que os Estados Unidos não irão seguir um estilo de movimento enquanto força regional – que segue uma política baseada na segurança – mas sim como uma força focada no âmbito global no período que se segue.  

Quando esta questão é analisada no contexto do Médio Oriente, a nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos – também conhecida como a Doutrina de Trump – elogia o desenvolvimento das relações com os aliados no Médio Oriente, no âmbito dos conceito de “Estados Unidos primeiro” e “os Estados Unidos não estão sozinhos”. O documento também sublinha a luta conjunta com os aliados dos Estados Unidos contra as ideologias radicais e o radicalismo islâmico. Neste contexto, Israel é considerado como o parceiro principal dos Estados Unidos no Médio Oriente, enquanto que o Egito e a Arábia Saudita são considerados como parceiros estratégicos regionais, no âmbito da nova Estratégia de Segurança Nacional. No entanto, a nova estratégia não menciona a posição regional da Turquia, optando antes por sublinhar o apoio do Irão ao “terrorismo” e ao “terrorismo islamita radical”. Esta posição cria obstáculos à paz e à prosperidade na região. Além disso, na nova Estratégia de Segurança Nacional alega-se que o conflito israelo-palestiniano não representa um obstáculo para a paz e para a prosperidade no Médio Oriente, e que Israel não desempenha um papel determinante neste conflito. Desta forma, na nova estratégia, tenta-se formar uma base para que haja necessidade por parte dos países da região de estabelecerem cooperação com Israel, com base em interesses comuns contra as ameaças comuns.

Em conclusão, a Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos que agora foi apresentada, é um reflexo do retrocesso mental e intelectual que ocorreu na política mundial. É possível definir a nova estratégia dos Estados Unidos como sendo realista e pragmática, e que esta será posta em prática no contexto dos princípios que privilegiam a obtenção de prosperidade colonial, baseada na segurança e na força. O documento revela uma imagem de projeção, elaborada por um estado que vive preocupado pela possibilidade de perder a sua força, e que tenta fazer manobras para proteger essa força. Esta estratégia conduzirá os elementos do sistema ao equilíbrio de forças baseado na geopolítica, ou a um regresso ao regime de Guerra Fria. Esperamos e veremos que o sistema e a política internacional estão a regressar à face escura da história.

O documento aponta para que a hegemonia global dos Estados Unidos vá entrar num período convulsivo, e dá a impressão de que os Estados Unidos irão adotar uma política pragmática e realista. Estas situações são os elementos que fazem crescer o risco de guerra no Médio Oriente.

No documento de Estratégia de Segurança Nacional não é mencionada a globalização, sendo apenas dito que o comércio internacional será feito com base em relações bilaterais. Isto significa que as negociações serão feitas com armas em cima da mesa de negociação económica. E provavelmente, e ainda mais temível, é que fica em aberto a opção de responder com armas nucleares a um ataque não nuclear.



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