América Latina e a Tentativa de Golpe de 15 de julho

Há uma necessidade de estudos e esforços detalhados para relatar a tentativa de golpe de 15 de julho na América Latina.

América Latina e a Tentativa de Golpe de 15 de julho

Atualidade da América Latina / Capítulo 18

 

Autor: Mehmet Özkan*

A tentativa de golpe de 15 de julho deve ser considerada por dois aspectos no contexto latino-americano. O primeiro é o ponto de vista dos muçulmanos latino-americanos e o segundo é a política dos países latino-americanos. Muitas pessoas escreveram e compartilharam suas observações sobre a tentativa de golpe de 15 de julho em muitos países muçulmanos, mas especialmente do ponto de vista dos muçulmanos que vivem em regiões distantes como a América Latina, o 15 de julho simboliza uma crise muito séria.

Os habitantes muçulmanos do continente antes de 15 de julho, tanto amavam Erdogan quanto tinham simpatia pelos seus atos, ao mesmo tempo em que mantinham um relacionamento fixo com as ramificações da FETO no continente. Essa relação tinha uma perspectiva de "quem pode nos beneficiar?" entre os muçulmanos de uma forma elitista e pragmática, como é próprio do estilo da FETO. Quando olhamos do passado para o dia de hoje, que tipo de consideração devemos ter sobre a relação entre a América Latina e a FETO? O que a Turquia deve fazer?

Para os muçulmanos na América Latina, datas como 7 de fevereiro, 17 e 25 de dezembro, não significam nada. A principal razão é que a maioria deles não conseguia entender o motivo e o contexto desse conflito que crescia na Turquia. Além disso, as posições dos membros da FETO, como se essas datas não estivessem relacionadas a eles, e os anúncios e os esforços para tentar convencê-los, não criaram nenhuma dúvida contra os membros da FETO. Não há dúvida de que algumas pessoas que estudaram muito de perto, entenderam que fazia parte de uma agenda diferente deles.

O 15 de julho deixou tudo confuso. Aquele foi um dia muito longo tanto para os muçulmanos latino-americanos, quanto para outros muçulmanos em diferentes partes do mundo. Eles se comunicaram com seus colegas para receber notícias da Turquia. Eles seguiram de perto os recursos de notícias confiáveis ​​em árabe e a maioria deles orou. Embora não tenha sido possível entender que a FETO estava por trás dessa trama, havia uma séria consideração de que eles eram responsáveis. Houve algumas anormalidades que ocorreram naquela noite histórica na América Latina. Por exemplo, foi pedida a opinião destes membros da FETO porque os membros desta estrutura eram eram os únicos no continente com relação com os muçulmanos. Muitos líderes religiosos deram a mesma resposta como se ela estivesse saindo da mesma boca: o caso foi um teatro e um golpe militar do presidente Erdogan contra si mesmo. Nos dias seguintes foi usada esta propaganda pelos fethullahistas que deram avaliações semelhantes à mídia ocidental, mas com o tempo todo o mundo entendeu que eles eram os verdadeiros autores do crime.

Os membros dessa estrutura no continente quase não estão mais relacionados aos muçulmanos. Eles não vão á mesquita, embora no passado eles tivessem um relacionamento com as mesquitas para usar delas. Atualmente, a principal abordagem deste grupo é afastar-se dos muçulmanos e tentarem se aproximar de autoridades estatais.

Os muçulmanos foram as melhores fontes de informação sobre a Turquia no continente. De acordo com minhas observações, os líderes religiosos fizeram sua preferência antecipadamente sobre a FETO. Sua simpatia pela Turquia e Erdogan ficou além de nossas estimativas. Essa simpatia, embora seja unificada com a ausência de qualquer líder considerável no mundo árabe, vêm do trabalho de nosso presidente que coloca a dignidade dos muçulmanos em um lugar especial, desenhando uma imagem diferente da Turquia em um mundo muçulmano devastado. Eles se sentem em casa, pois cada vez que chegam a Istambul, essas pessoas acompanham de perto cada passo dado pela Turquia.

São os partidos de esquerda que melhor podem contar o dia 15 de julho da Turquia na América Latina. Casos similares ocorreram em 2002 contra Hugo Chávez e contra Rafael Correa em 2010 no Equador. Após a saída do povo pelas ruas nas duas ocasiões, o golpe foi impedido. Seria mais interessante contar a história de 15 de julho da Turquia no continente, considerando essas experiências naqueles países que são os pontos fortes da veia esquerdista. Serão muito interessantes os artigos e conferências em comum que compararem estas duas ocasiões no continente onde há pouca informação sobre a Turquia pois há uma necessidade de estudos detalhados e esforços para relatar o 15 de julho na América Latina, mas seria importante relacionar a data à dimensão humanitária, sua solução política, além da tradição dos golpes no continente.

 

*Essa foi a avaliação do Dr Mehmet Ozkan, da Academia de Polícia e o coordenador para América Latina da Agência de Cooperação e Coordenação Turca (TIKA).



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