• Galeria de Vídeos

Os recentes passos da Turquia na Síria

Enquanto a Turquia desenha em Astana a rota das negociações e o processo de transição que irá pôr fim aos combates entre o regime de Assad e a oposição síria, continua em simultâneo a combater os grupos terroristas. A Análise de Can Acun.

Os recentes passos da Turquia na Síria

Continua a funcionar o mecanismo de Astana, criado para reduzir a tensão e garantir a paz entre as partes na Síria. Depois do regime, da Rússia e do Irão terem ocupado as zonas de redução da tensão definidas neste processo que avança com a garantia da Turquia, a Rússia e o Irão deram mais importância à região de Idlib.

Já a seguir, apresentamos as opiniões sobre esta questão de Can Acun, investigador da Fundação de Estudos Políticos, Económicos e Sociais (SETA).

O facto da região de Idlib estar próxima da Turquia, em contraste com o que se passa nas zonas de redução da tensão, é um fator que traz vantagens à Turquia. Além disso, o facto do regime permitir a vinda dos opositores sírios para a região de Idlib e a operação turca Escudo do Eufrates, são fatores que fazem com que Idlib se torne num bastião da oposição militar.

Idlib é diferente das outras zonas de redução da tensão, definidas no processo de Astana. Segundo este processo, foram definidos postos de observação no terreno, a cargo da Turquia, Rússia e Irão (12, 10 e 7, atribuídos a cada país respetivamente). Esta situação, conseguiu em grande medida pôr fim ao conflito. Os postos de observação da Turquia servem de muro, que impede o avanço militar do regime contra os opositores sírios.

Os pontos de observação criados pela Turquia comportam uma série de dificuldades em termos operacionais. Por um lado, asseguram uma grande vantagem para o transporte direto da Turquia para a região, mas por outro podem estar sujeitos a possíveis ataques dos extremistas e das forças do regime em Idlib, que tornam difícil a missão assumida pela Turquia para trazer a paz. De facto, uma coluna militar turca foi atingida, devido à explosão de um carro armadilhado estacionado no percurso de transporte de militares turcos. De vez em quando, há também troca de tiros entre os militares turcos e as milícias xiitas apoiantes do regime e do Irão.

A colocação, por parte da Turquia, dos seus próprios soldados na linha da frente para impedir o conflito na Síria, é a indicação mais clara da vontade do país em fazer parar a guerra na região.

Enquanto a Turquia desenha em Astana a rota das negociações e o processo de transição que irá pôr fim aos combates entre o regime de Assad e a oposição síria, continua em simultâneo a combater os grupos terroristas que se aproveitam do caos na Síria. A Turquia, que libertou a sua fronteira do grupo terrorista DAESH – com a operação Escudo do Eufrates – está agora a fazer o mesmo com o grupo terrorista PKK/YPG em Afrin. O facto da Turquia atuar de forma conjunta com as forças locais sírias, em ambas as operações, demonstra não só a sua influência na região, como a sua atuação sem impulsos colonialistas na zona.

Enquanto a Turquia está a combater o terrorismo, está também a dar passos pela paz na vizinha Síria e a garantir a sua própria segurança nacional. Houve uma redução dos ataques e incidentes contra a Turquia levados a cabo pelo grupo terrorista DAESH, depois da Operação Escudos do Eufrates. E a Operação Ramo de Oliveira impediu a infiltração de elementos do grupo terrorista PKK/YPG, a partir da Serra de Amanos em Hatay. As atividades deste grupo na região foram reduzidas a zero.

Para além da operação que continua no interior do Iraque, estão também a ser dados passos essenciais contra o PKK/YPG no norte da Síria. A insistência americana em criar uma aliança com o YPG, é uma barreira que impede o fim do terrorismo na região, e representa uma ameaça para a segurança nacional da Turquia.

Desde há algum tempo, decorrem negociações entre a Turquia e os Estados Unidos sobre o YPG e sobre o futuro de Manbij. O escudo americano garantido ao grupo terrorista YPG e o incumprimento da promessa de que esse grupo se retiraria da região, deu origem a tensões entre os dois países aliados da NATO. Ambos os países tinham chegado a um acordo em termos gerais, depois da vinda do secretário de estado Rex Tillerson à Turquia. Mas o processo ficou temporariamente suspenso, devido à sua demissão e posterior nomeação de Pompeo para o substituir, por parte do presidente Trump dos Estados Unidos.

Em conformidade com a declaração do ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Mevlut Çavusoglu, chegou-se a uma proposta de acordo sobre a questão de Manbij. Os seus detalhes serão aclarados brevemente. Fontes locais anunciaram que os militantes do YPG se preparavam para abandonar a região, depois das palavras de Çavusoglu. De acordo com o entendimento alcançado entre a Turquia e os Estados Unidos, o YPG deverá abandonar Manbij e deslocar-se para leste do Rio Eufrates. A Turquia e os Estados Unidos irão garantir, de forma conjunta, a segurança na região e irão nomear as administrações locais, para além de garantir a segurança policial em Manbij.

Apesar de ter havido avanços entre ambos os países, a presença dos terroristas a leste do Rio Eufrates é um sinal de que não vão acabar os problemas entre a Turquia e os Estados Unidos, relacionados com a Síria. No entanto, a atuação conjunta dos dois países em Manbij irá fazer aumentar a comunicação, a coordenação e a confiança entre os dois aliados. E é possível que ambos cheguem a um consenso, relativamente a outras regiões da Síria.

Esta foi a análise sobre estema de Can Acun, investigador da Fundação de Estudos Políticos, Económicos e Sociais (SETA)



Notícias relacionadas