O triunfo eleitoral de Erdogan e a política externa da Turquia

Os resultados das eleições de 24 de junho dão luz verde para reavivar a postura da Turquia na política externa. A análise de Can Acun, investigador da Fundação de Estudos Políticos, Económicos e Sociais (SETA).

O triunfo eleitoral de Erdogan e a política externa da Turquia

A Turquia elegeu o seu presidente e os seus deputados nas eleições do passado domingo, dia 24 de junho de 2 018. A opinião pública mundial seguiu com grande interesse os resultados eleitorais. O presidente Recep Tayyip Erdogan foi eleito como o primeiro chefe de estado do novo sistema de governo da Turquia, logo à primeira volta com 52,6% dos votos.

A Aliança do Povo, formada pelo Partido da Justiça e Desenvolvimento e pelo Partido da Ação Nacionalista, obteve a maioria absoluta de deputados no parlamento. Desta forma, tornou-se realidade a transformação para o novo sistema de governo da Turquia. Nestas eleições, votaram 85% dos eleitores recenceados. A vitória de Erdogan e da Aliança do Povo, é um resultado que garante a continuidade da política externa da Turquia e da sua luta contra o terrorismo.

A Turquia adotou uma postura proativa na sua política externa, baseada numa abordagem em vários eixos ao mesmo tempo, em função dos seus interesses nacionais. A Turquia trabalha em paralelo com a Rússia, com o Irão e com os seus aliados da NATO, e tem uma política ativa no Médio Oriente, nos Balcãs, na Ásia e em África. Entre os fatores mais importantes que reforçam a política externa da Turquia, destacam-se a sua ajuda humanitária e a indústria de defesa. A Turquia é a 13ª maior economia do mundo, mas é o país que mais ajuda humanitária oferece à escala mundial. Atrás de si, em termos de ajuda humanitária, estão os Estados Unidos, a maior economia do mundo. Os trabalhos de ajuda humanitária da Turquia, são um dos fatores mais importantes da política externa turca, e revelam o valor que o país dá à humanidade.

Por outro lado, os investimentos da Turquia na indústria de defesa, definem o papel da Turquia na sua política externa. A venda dos helicópteros ATAK ao Paquistão, o fornecimento dos seus veículos blindados aos países do Golfo Pérsico e a chegada de novos compradores para os aviões turcos não tripulados - armados ou não - integralmente produzidos na Turquia, são o espelho do nível tecnológico que o nosso país alcançou.

Os resultados das eleições de 24 de junho dão luz verde para reavivar a postura da Turquia na política externa. Efetivamente, o povo turco passou a mensagem para se continuar a ajudar as pessoas necessitadas na Somália.

Os resultados destas eleições, têm uma enorme importância na questão do combate ao terrorismo. Depois de ter sido eliminada a presença do grupo terrorista DAESH na fronteira da Turquia, graças à operação Escudo do Eufrates, também Afrin foi libertada dos terroristas, com a operação Ramo de Oliveira.

Podemos dizer que a partir de agora será retomada a Operação Firmeza, que corta as linhas de abastecimento do PKK entre o Iraque e a Turquia, e que tem como objetivo limpar Qandil, a sede do grupo terrorista.

No âmbito da nova doutrina anunciada pela Turquia, em termos da luta contra o terrorismo, serão eliminados os elementos terroristas transfronteiriços, para além das operações em curso no território nacional. Graças às 3 operações efetuadas e cujas ações continuam, foram reduzidas em grande medida as atividades terroristas em solo turco. O objetivo é acabar com o terrorismo na Turquia, eliminando os focos de terrorismo até ao seu centro de comando.

Em paralelo, o grupo terrorista YPG vai abandonar Manbij, de acordo com a linha de rumo definida pela Turquia e pelos Estados Unidos. Os dois aliados da NATO irão também garantir a segurança da região e será criado um governo civil composto por elementos locais. A linha de rumo acordada por Ancara e Washington para Manbij foi definida antes das eleições na Turquia, e continuará a ser implementada sem quaisquer interrupções, graças à reeleição de Erdogan. Da mesma forma, o processo de Astana focado na redução da tensão e em garantir a paz na Síria – sob a garantia da Turquia, da Rússia e do Irão – poderá também continuar depois das eleições na Turquia.

Por tudo isto, a falta de incerteza no período pos-eleitoral e a existência de estabilidade, são desenvolvimentos positivos para a continuidade dos acordos assinados pela Turquia.

Esta foi a opinião sobre este tema de Can Acun, investigador da Fundação de Estudos Políticos, Económicos e Sociais (SETA)  



Notícias relacionadas