Daraa, a cidade síria onde começou a revolução

A tensão entre Israel e o Irão constitui outra dimensão dos acontecimentos no sul da Síria. A análise de Can Acun, investigador da Fundação de Estudos Políticos, Económicos e Sociais (SETA).

Daraa, a cidade síria onde começou a revolução

Não param os ataques do regime de Assad com o apoio da Rússia e do Irão, contra a província de Daraa no sudoeste da Síria. As forças do governo de Damasco orientam os seus ataques contra a localidade de Daraa, um dos bastiões da oposição síria e o local onde começou a revolução no país. Os civis estão a fugir para a fronteira com a Jordânia, mas Amã ordenou o fecho das passagens fronteiriças com a Síria. Esta situação está a dar origem a um grave drama humanitário na fronteira jordano-síria. Várias cidades da região já passaram para o controlo das forças do regime, pelo facto da oposição militar síria não ter chegado a acordo sobre uma atuação conjunta contra o regime. Alguns grupos da oposição chegaram mesmo a acordo com o regime de Damasco, depois da mediação da Rússia.

A tensão entre Israel e o Irão constitui outra dimensão dos acontecimentos no sul da Síria. A aproximação à fronteira de Israel das milícias apoiadas pelo Irão, pode fazer escalar a tensão entre os dois países.

Já a seguir, apresentamos a análise sobre este tema de Can Acun, investigador da Fundação de Estudos Políticos, Económicos e Sociais (SETA).

As informações segundo as quais o regime de Assad se preparava para lançar uma operação contra Daraa, começaram a ser reveladas à opinião pública no princípio de Junho. Em seguida, começaram os preparativos militares do regime e as suas patrulhas na região, dando sinais claros de que estava em preparação uma operação. Nos últimos anos, não tinha havido guerra nem combates na zona de Daraa, entre o regime e a oposição síria. Daraa tinha também sido designada como uma zona de redução da tensão e violência, pela Rússia e pelos Estados Unidos.

No entanto, os responsáveis americanos disseram que não iriam proteger os opositores sírios, retirando assim a proteção política de Washington, precisamente na altura em que começavam as operações do regime. Esta informação foi divulgada na imprensa. O comunicado enviado pela embaixada dos Estados Unidos na Jordânia aos grupos da oposição sírios, avisou que os Estados Unidos não os protegeriam em caso de ataque por parte da Rússia e das forças do regime. Depois do início dos ataques aéreos da Rússia e do regime de Assad contra a região de Daraa, chegou uma declaração da base de Humaimin dizendo que a zona de redução da tensão e violência em Daraa tinha sido abolida.

Como a paz e a tranquilidade dominaram na região de Daraa durante muito tempo, a maioria da população da região vivia nas suas casas. Mas agora, devido aos ataques do regime de Assad, da Rússia e do Irão contra Daraa, está a registar-se um êxodo da população. Até ao momento, mais de 270 mil pessoas foram obrigadas a deixar as suas casas. A ONU indicou que 40 mil sírios estão na fronteira com a Jordânia. Mas Amã adotou uma política de portas fechadas face aos novos refugiados sírios, depois de já ter oferecido asilo a 650 mil refugiados sírios.

Apesar da Jordânia ter organizado campanhas de ajuda humanitária para os sírios que estão do outro lado da fronteira, os civis continuam a estar em grande perigo devido ao avanço das forças do regime na região de Daraa. Por isso, a ONU apelou à Jordânia para que abra os seus postos fronteiriços.

Os combates militares entre a Rússia, o Irão, as forças do regime de Assad e a oposição síria, continuam na região de Daraa. Logo a seguir às forças do regime terem assumido o controlo da região de Al-Lajat, vários grupos da oposição síria chegaram a acordo com o regime sob a mediação da Rússia. Os opositores nas cidades de Daal, Bosra al Shaam e Abtaa, entregaram as suas armas e a cidade às forças do regime. Por outro lado, o intenso apoio aéreo da Rússia a estas operações e o fim da ajuda dos Estados Unidos aos opositores, fragilizaram a oposição síria, que continua a oferecer resistência armada contra as forças do regime de Damasco.

Israel é outro país onde se observam repercussões dos acontecimentos na Síria. Sabe-se que Israel manteve negociações com a Rússia antes da última operação na região, e chegou a acordo para que nesta ofensiva do regime não participassem forças do Irão, nem das milícias pro Teerão. Mas a realidade no terreno mostra que há participação do Irão e das milícias pro-iranianas nas operações em curso no sudoeste da Síria. Vários ataques aéreos israelitas contra o Irão e contra os elementos por si apoiados, bem como a aproximação das milícias pro-iranianas à fronteira com Israel, podem desencadear novas tensões entre os dois países.

Esta foia análise sobre este tema de Can Acun, investigador da Fundação de Estudos Políticos, Económicos e Sociais (SETA)



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