Os Princípios Globais da Educação (Parte 1)

As pessoas bem e mal educadas não só no nosso país, mas também em países longínquos, têm o potencial para mudar as nossas vidas de forma muito próxima. A análise do Prof. Dr. Kudret Bulbul, decano da Fac. de Ciências Políticas da Univ. Yildirim Beyazit.

Os Princípios Globais da Educação (Parte 1)

Perspetiva Global 39

Partilhamos juntos o planeta enquanto família da humanidade. Temos muitos pontos em comum, que temos que partilhar por termos nascido no mesmo momento da história, apesar de vivermos em sociedades com estilos de vida muito diferentes.

Somos afetados, enquanto família da humanidade, sempre que nos deparamos com um desastre global, independentemente de qual seja a nossa crença, idioma, religião e origem. Ser criado na mesma época, deixa em todas as pessoas um efeito recíproco, tanto nas pessoas que nos estão perto como naquelas que estão longe, em termos da informação, cultura e vida. Este efeito faz com que tenhamos que nos perguntar até que ponto somos mais afetados pela nossa ascendência ou pelos nossos contemporâneos.

Tentarei agora dirigir as minhas palavras para a educação. As pessoas bem e mal educadas não só no nosso país, mas também em países longínquos, têm o potencial para mudar as nossas vidas de forma muito próxima. As pessoas mal educadas podem causar-nos danos a nós ou aos nossos familiares, quando se transformam em terroristas suicidas. Já as invenções de algumas pessoas bem educadas, podem facilitar as nossas vidas. Por isso, a educação é um fenómeno global e é muito importante e contagiante para todos os países. A melhor educação e a má educação num país, podem afetar diretamente de forma positiva ou negativa outros países.

Em que situação estamos em termos de educação ao nível global?

Sem dúvida, há muitas áreas em que somos bons. Mas no programa desta semana, quero destacar os pontos negativos.

Quando consideramos o Ocidente, as escolas dos Estados Unidos transformam-se cada vez mais em quartéis, tendo em conta que ali ocorrem duas vezes mais assassinatos do que no resto do mundo. Os que matam as crianças e os jovens, são quase sempre companheiros de escola. Por detrás desta situação estão os hábitos sexuais, o jogo, as bebidas alcoólicas e as drogas numa idade muito precoce, bem como as ligações familiares desfeitas, as crianças abandonadas e os pais que não recordados durante as épocas festivas…

A situação não é diferente no Oriente. Apesar das taxas de delinquência não serem tão altas como no Ocidente, os sistemas educativos orientais não dão uma identidade, não preparam para a vida, e pelo contrário, são baseados em rotinas que destrõem as vidas…

No que diz respeito ao mundo islâmico, a educação é outro problema ainda mais fundamental, que não faz ligações entre uma coisa e outra, tal como apontado por Alija Izetbegovic.

A boa e a má educação num país, afeta de forma muito direta todos os outros países. É preciso que haja um consenso geral sobre qual deve ser o perfil humano, independentemente de qual seja a religião, o idioma, a ideologia, a crença, raça ou cor. Doutra forma, todos nós estaremos em perigo enquanto família da humanidade. A educação precisa de ter princípios globais, para que o mundo possa ser mais habitável, mais próspero e pacífico. Podemos começar a procurar estes princípios, ao questionar os objetivos da educação.

O objetivo da educação deve ser preparar as pessoas para a vida. Que tipo de educação quermos? De facto, a educação está diretamente relacionada com a forma como vemos a vida e com a nossa filosofia de vida. A nossa filosofia de educação é uma extensão da nossa filosofia de vida.

Se quiseremos viver num mundo mais habitável, onde ocorram menos injustiças e menos maldades, onde se respeitem mais as diferenças e onde as pessoas sejam mais virtuosas, a educação terá características que garantam o alcançar destes objetivos. A educação não diz apenas respeito à educação dada nas escolas ou à educação moderna. Por isso, a escola não é o único caminho para alcançar os objetivos que mencionámos, mas apenas um dos instrumentos da educação.

Quando temos uma preocupação comum face à vida e partilhamos os objetivos gerais que antes mencionámos, enquanto família da humanidade, podemos ter como princípios globais da educação, que será para o nosso bem, ao proteger as nossas diferenças.

E então, quais podem ser estes princípios fundamentais?

  1. Uma educação que fornece uma consciência de justiça

A educação deve, em primeiro lugar, dar um sentimento de justiça, independentemente de vivermos numa era tradicional ou moderna, pós-moderna ou futurista, e independentemente do estilo de vida. Tal como disse o profeta Omar, “a justiça é a base do Estado”. Ou como disse o filósofo alemão Immanuel Kant “se a justiça abandonar o mundo, não haverá nada que dê valor à vida humana”. Em primeiro lugar deve haver justiça, sendo que a liberdade e a igualdade são partes indissociáveis dela.

Sem dúvida, enquanto indivíduos membros da família da humanidade, não estamos de acordo sobre o que é a justiça ou a injustiça. Mas são mais ou menos óbvios os pilares fundamentais da justiça. Existe mais ou menos um consenso em todas as religiões, crenças e ideologias, sobre não matar, não roubar, não obter rendimentos por vias ilegais e não fazer mal aos outros. No âmbito do primeiro princípio, que deve ser transmitido aos alunos de todos os níveis, está o vencer com merecimento. Há quem diga que a justiça é entendida através da brutalidade. Pensemos por um momento, o que seria se todo o mundo quisesse obter direitos sem trabalhar e sem obedecer a regras. Consegue imaginar o caos que se instalaria?

A falta de informação, experiência e etiquetas no processo educativo, pode sempre ser corrigida. Mas a falta de justiça, que se gera ao longo do processo educativo (através do sentimento de ganhar sem merecer), não pode ser corrigida ao longo da vida. O sentimento de justiça é passado aos alunos através do sistema educativo, dos comportamentos dos instrutores e da prática da vida. Não através da informação passada no processo educativo.

Neste contexto, a justiça deve ser adotada ao nível dos sentimentos, da consciência e da crença, e não através da informação. Devem ser evitadas as injustiças, a brutalidade e a desigualdade, através de uma crença forte, ao conhecer os problemas que causarão.

  1. Boa postura humanitária, uma educação que oferece uma postura positiva

A educação deve educar os indivíduos com bom coração, de boa mente e pessoas positivas. Vemos jovens que são pessimistas e desesperados, que preferem a estagnação em vez de soluções, e que se aproximam dos outros sempre sem confiança. Quem pode viver uma vida assim? Que tipo de beleza se pode construir com esta postura negativa? As pessoas devem olhar para a vida com bons olhos e devem considera-la de forma positiva. Naturalmente, a definição do que é “bom” e do que é uma “boa pessoa”, muda em função das culturas e das crenças. Mas é muito valioso pretender educar as pessoas para serem boas, num mundo em que há muitos motivos para ser pessimista. Ser positivo na vida é a condição mais fundamental que as pessoas sejam boas em si mesmas e estejam em paz consigo próprias, com o seu ambiente e com as outras pessoas.

A “justiça” caminha sempre ao lado da “bondade”, ao ver a vida de forma positiva e ao considerar a bondade.

Este tema continuará no próximo programa…

Esta foi a opinião do Prof. Dr. Kudret Bulbul, decano da Faculdade de Ciências Políticas da Universidade de Yildirim Beyazit, em Ancara



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