Os Princípios Universais da Educação – Parte II

Tanto a boa como a má educação são infecciosas e a educação nos outros países afeta de muito perto a nossa vida. A análise do Prof. Dr. Kudret Bulbul, decano da Faculdade de Ciências Políticas da Universidade de Yildirim Beyazit em Ancara.

Os Princípios Universais da Educação – Parte II

Perspetiva Global 41

No último artigo sobre este assunto de há duas semanas, dissemos que enquanto fenómeno global, tanto a boa educação como a má são infecciosas e que a educação nos outros países afeta de muito perto a nossa vida. E por isso, indicámos a necessidade dos princípios universais da educação para a família da humanidade. Depois de mencionar brevemente a situação que se vive no mundo em termos educativos, falámos sobre a filosofia da educação e sobre os seus dois primeiros princípios, no sentido de tentar fazer crescer indivíduos com um pensamento positivo em vez de pessimista, e que tente criar uma consciência de justiça.

Vamos agora continuar a falar sobre este tema no ponto em que deixámos o artigo anterior:

3. Uma educação que faz crescer indivíduos com princípios morais gerais

São os princípios que tornam possível a vida social e que permitem que as pessoas hajam com princípios e obedeçam aos princípios morais gerais. Só indivíduos na posse destes princípios tornam possível a coexistência habitável. A nossa hipótese assenta em princípios como o não roubar, não atacar, não mentir e não usar o poder para o mal.

Suponhamos por um momento que saímos à rua, num contexto em que estes princípios não existem. Antes de mais, poderemos sair de casa? Como poderemos andar na rua, se não temos a certeza de que a primeira pessoas que nos aparecer pela frente nos vai atacar? Como podemos estar tranquilos, se estivermos preocupados com possíveis ataques de outras pessoas na rua? E se toda a gente usasse o poder para o mal? E se as pessoas fizessem esforços para ganhar alguma coisa sem trabalhar?

Podíamos continuar a dar inúmeros exemplos. Seria possível uma vida social neste tipo de ambiente selvagem?

A criação de indivíduos com princípios morais gerais no contexto da cultura social onde se vive, deve ser um dos principais objetivos da educação. E não é difícil determinar estes princípios morais. Há uma regra geral a este respeito mais ou menos semelhante nas diferentes culturas.

4. Uma educação que ensina e em que não há dois dias iguais

Os princípios seguintes estão muito mais relacionados com o conteúdo e com o método da educação. Os primeiros três princípios da educação que já mencionámos (justiça, pensamento positivo e uma educação baseada na moralidade), são os valores básicos que se devem transmitir em todos os tipos e em todos os níveis de educação. Os resultados da educação que não se baseiem nestes valores e que não contenham estes valores, podem representar um perigo extremo para a humanidade.

As guerras mundiais, os ataques terroristas, o cada vez maior número de muros de segurança e todas as invenções orientadas para a destruição, arrastam a humanidade para um desastre. Tudo isto poderia ser evitado, caso todas as pessoas fossem bem educadas. Todas as perseguições e lágrimas poderão ser evitadas com uma educação de boa qualidade. Estes valores são aqueles que podem proteger a família da humanidade na área da educação e também nas outras áreas. Neste contexto, a expressão do profeta Maomé “refugio-me em Alá da ciência inútil”, aponta para uma postura moral muito valiosa. É uma postura baseada em evitar o que é inútil e perjudicial.

Relativamente aos princípios básicos, trabalhar e fazer esforços, é uma das atividades mais úteis para nós próprios, para a nossa família e a para toda a humanidade. Um estilo de vida parasitário e preguiçoso, rejeita a sociedade. Neste âmbito, a educação deve estimular o trabalho em todas as profissões e ensinar que trabalhar é um valor em si mesmo.

5. Uma educação pluralista que se diversifica de acordo com a capacidade dos indivíduos

O método de educação maciça que se aplica de forma única a todos no estado moderno e centralista, estendeu-se a todo o mundo. Esta educação comum garante contribuições importantes, em termos da educação chegar a toda a gente. No entanto, este método destrói as diferenças e iguala as pessoas num único tipo. Mas naturalmente, todos os indivíduos representam uma vida diferente e cada indivíduo é um mundo.

O poeta Seyh Galib disse de forma tão bela: “Cuida de ti mesmo, tu és a essência do mundo. Tu és a pessoa que é a pupila do mundo”.

A educação deve orientar-se para descobrir o potencial de todas as pessoas, em vez de dar a mesma coisa a todos, e deve caminhar no sentido de obter o benefício individual e social deste potencial.

6. Uma educação aninhada com a vida

No método de educação tradicional, os indivíduos aprendem muitas vezes a formação prática na relação mestre-aprendiz. Hoje em dia estão a ser profissionalizadas a educação e as instituições educativas. Em consequência desta profissionalização, observamos que as instituições educativas se distanciam parcialmente da vida e a educação acaba por ficar no nível teórico. Existem fortes objeções a esta situação, tal como observado na expressão de Einstein: “A educação é o que fica depois de esquecermos o que aprendemos na escola”.

Se o objetivo da educação é preparar os indivíduos para a vida, a escola não pode ficar-se apenas pelas escolas. As instituições educativas e a educação devem estar ligadas uma à outra, tanto na vida das pessoas como nas organizações não governamentais, no setor privado, na vida académica e na burocracia.

7. Uma educação inquisitiva e exploratória, em vez de rotineira

A educação, de facto, é um esforço para o futuro e não um esforço para o passado ou para o presente. Sem dúvida, é preciso ensinar sobre o tempo atual e sobre a herança do passado. Mas tudo isto deve dirigir-se para perceber melhor o futuro e criar coisas novas. Uma educação que tente repetir o presente e a rotina, em vez de pensar e interrogar, não nos leva para o futuro. As pessoas apenas podem descobrir o seu potencial através do pensamento, das questões e ao colocar perguntas. A educação deve preparar uma base para que as pessoas se descubram a si mesmas.

Como outro princípio, podemos referir uma educação baseada no setor privado e nas organizações não governamentais, controlados e inspecionados pelo governo, em vez de uma educação centrada no estado e ministrada pelas instituições públicas. Mas esta situação não deve ser abordada enquanto método de educação. Poderemos voltar a este tema noutro artigo.

Sem dúvida, estes princípios podem alargar-se. Mas é difícil falar sobre isto em apenas um artigo. Aqueles que tiverem interesse sobre esta questão, podem ler o meu estudo intitulado “Que tipo de juventude na época global?”. Sem dúvida, é muito importante receber uma boa educação que possa ser qualificada em termos académicos.

Não existem garantias sobre para onde nos leva a falta de capacidade em transmitir todos estes princípios durante a educação. Podemos estar a criar Frankensteins através da educação. Não são as pessoas ignorantes aquelas que matam os seus colegas com armas, aqueles que colocam venenos ou agulhas na comida, e que arrastam a humanidade de um desastre para outro. Muitas vezes são as pessoas sofisticadas mas sem princípios, que não usam as suas capacidades para o bem da humanidade.

O mais importante é a educação e é por isso que ensinamos.

Esta foi a opinião sobre este assunto do Prof. Dr. Kudret Bulbul, decano da Faculdade de Ciências Políticas da Universidade de Yildirim Beyazit em Ancara



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