A Síria depois da Cimeira Quadrilateral

O grupo terrorista YPG usa outro grupo terrorista, o DAESH, para os seus próprios objetivos. A análise de Can Acun, investigador da Fundação de Estudos Políticos, Económicos e Sociais (SETA).

A Síria depois da Cimeira Quadrilateral

Foram tomadas decisões importantes, como a criação de uma comissão constitucional, para assegurar a paz na Síria depois da Cimeira Quadrilateral em Istambul, na qual participaram a França, a Alemanha, a Rússia e a Turquia. As decisões tomadas sobre a Síria foram importantes, mas o país tem grandes problemas.

No contexto deste conflito, continuam os combates contra o DAESH e o YPG na fronteira entre a Síria e o Iraque, regista-se fogo incómodo do YPG na fronteira turco-síria - que obriga as Forças Armadas da Turquia a bombardear alvos desse grupo - e em Idlib é preciso dar muitos passos para garantir a paz na Síria.

Os líderes dos 4 países que se reuniram em Istambul tomaram decisões muito importantes para assegurar a paz na Síria. Um dos temas mais importantes foi a criação de uma comissão constitucional, que desde há muito tempo se tenta formar e que terá grande importância para o futuro da Síria. A redação de uma nova constituição, apesar de ser importante para garantir a paz na Síria, não garante uma solução absoluta. O processo de votação sobre a nova constituição por parte do povo sírio, apresenta obstáculos muito difíceis de superar.

Num contexto em que milhões de sírios vivem no estrangeiro e em que milhões de pessoas estão deslocadas no seu país - devido à postura do regime de Assad - os sírios estão a ser impedidos de aceder a documentos importantes como passaportes. Neste tipo de ambiente, é muito difícil fazer campanha eleitoral.

A continuação do cessar fogo acordado para Idlib, a luta que se segue contra os grupos terroristas e a decisão de continuar o combate contra os grupos terroristas separatistas, são importantes. Por este motivo, tiveram sucesso os esforços da Turquia para impedir os objetivos das formações que ameaçam a integridade territorial da Síria, como é o caso do grupo terrorista YPG.

Na Síria, aconteceram novos desenvolvimentos em termos dos combates no terreno. No combate que continua contra os grupos terroristas YPG e DAESH, nas fronteiras com a Síria e o Iraque, houve novidades. Há alguns meses começou a operação contra a zona de Hajin, controlada pelo DAESH. Esta operação está a ser feita pelo YPG, com o apoio das forças especiais dos Estados Unidos, França e Itália. O DAESH, aproveitou-se da tempestade de areia que se abateu sobre a zona nos últimos dias, e que o grupo terrorista YPG tentou conquistar ao longo de meses. Desta forma, os militantes do DAESH conseguiram novamente chegar à fronteira com o Iraque.

Do lado iraquiano foram tomadas medidas contra um provável ataque do DAESH, com o envio das forças da milicia Hashdi Shabi para a região. O avanço regional do DAESH não pôde ser impedido pelas forças do YPG, apesar do apoio da coligação internacional. Esta é uma questão muito importante, o facto de usarem um grupo terrorista como o YPG para combaterem o DAESH, que querem destruir por completo.

Depois das perdas importantes do grupo terrorista YPG contra o DAESH no sudeste da Síria, registaram-se combates na fronteira da Síria com a Turquia e as Forças Armadas da Turquia responderam bombardeando a região. A artilharia turca alvejou e destruiu posições do grupo terrorista YPG que poderiam ser perigosas para a Turquia, nas colinas da região fronteiriça de Ayn al Arab. Também se registaram combates na fronteira em Tel Abyad, entre soldados turcos e os terroristas do YPG. Um dia mais tarde, foi usado um míssil balístico anti-tanque contra um veículo blindado já em solo turco, lançado pelo grupo terrorista YPG em Ayn al Arab. As imagens deste ataque foram tornadas públicas.

 Depois desta situação, a avaliação do grupo terrorista YPG, que parou a sua operação contra o DAESH em Hajin devido ao bombardeamento da Turquia, na realidade mostra como o grupo terrorista YPG usa outro grupo terrorista, o DAESH, para os seus próprios objetivos.

A outra questão importante são os combates ocorridos em Idlib. Foi impedida uma possível operação contra Idlib, graças ao acordo de Sochi. Há alguns dias registaram-se confrontos entre o grupo terrorista Hayat Tahrir al Sham e o Movimento de Nureddin Zengi. Apesar destes combates terem sido curtos, são uma demonstração do quão complicada e dinâmica é a situação na região. É por isso importante assegurar uma paz permanente em Idlib, para garantir a paz na Síria.

Esta foi a opinião sobre este tema de Can Acun, investigador da Fundação de Estudos Políticos, Económicos e Sociais (SETA)



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